Monday, September 01, 2008

O par reação-ação e as dúvidas conceituais humanas.

Boa Tarde.

Eu tive algumas experiências muito boas esse mês, e acho que vale a pena relatar o que eu tirei delas. Nem tudo, é claro, foi bom. Por algum motivo eu acho que esse foi um mês de sentimentos diversos, meio confusão no moinho. Vou pôr pra fora o que der pra pôr.

Nesse mês eu percebi realmente como algumas coisas podem entrar em conflito no seu pensamento, ás vezes os acontecimentos formam conceitos na sua cabeça que se chocam com outros conceitos que você já formou, e ficam á procura de uma decisão, enquanto você não sabe direito o que pensar, e só o que fica é uma eterna dúvida dentro da sua cabeça. Ás vezes a sua forma de olhar ao seu redor simplesmente fica um pouco embaçada, como se estivesse se modificando, aos poucos, tomando uma forma diferente, como uma reavaliação do seu próprio ser.
Eu acredito que a sua mente começa a formular os seus pensamentos baseado nas sensações. Se houver uma sensação muito intensa, algo que te acontece que te deixa muito sensibilizado, ou que te choca de uma forma muito forte. Na minha opinião, as nossas ações são determinadas pelas nossas reações. Quando entra-se em contato com algo e há uma reação natural, simplesmente incontrolável e intrínseca do seu ser em relação á essa determinada coisa, forma-se naturalmente uma opinião padronizada. Só se é possível pensar, por exemplo, sobre uma cadeira, quando se vê e compreende o que é uma cadeira. Quando acontece uma reação aos fatores constituintes daquilo: o tamanho, a cor, a forma, para que serve, entre outros.
Eu estou utilizando exemplos bem concretos pra facilitar a compreensão, mas é importante perceber que na verdade todas as coisas ás quais nós estamos expostos produzem esse par reação-ação, por assim dizer. Não são só os objetos, mas as pessoas, os lugares, as músicas, as pinturas, simplesmente tudo que existe. Mesmo aquelas coisas que sempre existiram e existem e que nós não conhecemos, não conseguimos ainda conceituar. Aquilo que não se enxerga também causa uma reação, mas não se tem consciência disso. Produzem também um sentimento, que fica , no entanto, mergulhado no seu inconsciente, e pode aparecer a qualquer momento. Geralmente aparecem quando a sensibilidade é aumentada, quando a percepção se expande, em momentos de emoção, de embriaguez, de felicidade e/ou tristeza extrema. Quando o fio da consciência torna-se mais flexível.
É muito interessante para mim pensar que são os nossos sentimentos que indicam os nossos atos, e não o caminho contrário. Ás vezes penso que a sociedade está voltada conceitualmente para o outro lado, de que as coisas são criadas e após isso produzem reações. A questão é que para que algo possa ser criado, já é necessário que tenham havido reações, ao modelo que representa. Na verdade, antes de se tornarem concretas, todas as coisas provém de um sentimento abstrato e inicial. O ser humano tende a pensar que tudo que ele cria é independente do ambiente que o cerca, quando na verdade toda criação é parte de uma matriz de compreensões. Nada é independente no mundo em que vivemos, tudo é uma ramificação, uma resultante. Todas as pessoas vêm, obrigatoriamente, de outras pessoas.
O ser humano tem a capacidade de criar para si objetos relativos, que não atendem à uma dualidade do que é bom e do que é ruim. Simplesmente são. Como somos todos diferentes entre si, chegamos a conclusões distintas. O ser humano sozinho não tem capacidade de julgar as coisas por corretas ou incorretas, por isso baseia-se em leis, em códigos que TENTAM unificar esse pensamento. Mas será mesmo que esse pensamento pode ser unificado? Quero dizer, o caminho da humanidade é a unificação da opinião geral concentrada em uma só matriz de pensamento? Eu penso que quanto mais penso nisso, menos entendo. Sei que o homem pode simplesmente escolher aceitar-se da maneira como é e continuar vivendo, sei que ninguém estabeleceu ao homem nenhum objetivo. Foi o próprio ser humano que estabeleceu. Quero dizer, não há no que se basear para dizer que o homem precisa viver de uma forma uniforme, ninguém nos disse para fazer isso e estabeleceu um porquê, não há uma regra de convivência dada para nós pelo universo. É possível simplesmente aceitarmo-nos como seres que caminham junto ao universo e todas as coisas, não buscando objetivos ou formas de significar a nossa existência, baseado na noção de que na verdade nunca poderemos compreender tudo, pois não vivemos tempo o bastante, não temos essa capacidade mental, ficamos eternamente fechados aos nossos sistemas relativamente fechados onde sobrevivemos. Não há respostas no ar para nós, apenas perguntas.
Por outro lado, penso que talvez o homem tenha pensado num sistema que favoreça a todos, se todos estiverem inseridos nele. Talvez nós estejamos apenas trilhando um caminho tortuoso para uma unificação do nosso pensamento, direcionada para a não-violência, para a não-obstrução da particularidade de cada um, enfim, para um ideal comum. A abstração dos valores como dinheiro, posse, ganância, violência. Talvez se o homem não tiver mais na sua instrução básica valores tortos de comportamento, baseados num sistema torto de comportamento, possa perceber um caminho uniforme.

Ainda não estabelecei uma opinião sobre isso. Tenho apenas perguntas a me fazer, e estou em extremo conflito interno por causa dessas questões. Confusão no moinho.

Boa Tarde.

Quanticum.

2 comments:

Ísis said...

adoro o jeito que você pensa..

Kika Tatáglia said...

semiologia meu caro, semiologia!

um beijinho saudoso
moka